29.8.12

Avô.

Está quase a fazer quatro meses desde que partis-te para o que se diz um lugar melhor. A verdade é que desde que partis-te que os meus dias não tem sido os melhores. Correm bem, mas falta sempre algo. Talvez seja a realidade a mostrar-me que eu e tu já não respirámos o mesmo ar, que já não abraçamos as mesmas nuvens ou que simplesmente já não te tenho aqui. Nunca pensei que doesse tanto perder assim alguém, e talvez ainda magoe mais por saber que nunca mais te vou ver. Tenho saudades de todas as vezes em que eu chegava a tua casa e tu chamavas por mim, das vezes que vinha de férias a Portugal e sempre no final do jantar ia a tua casa e da Vó comer aquela sopa de cenoura da Vó que só ela sabe fazer. Também tenho saudades de todas as vezes que me abraçavas com tanta força que eu queria era que largasses para eu apanhar ar, tomara eu agora que nunca me tivesses largado, que nunca me tivesses deixado com esta nostalgia que me faz corroer por dentro. É claro que em frente à mamã e ao papá faço-me de forte. Mas ninguém é de ferro ao ponto de esconder as suas emoções, logo eu, que sou uma chorona... Tu sabes.
Não me entra na cabeça, a ideia de que tenho de viver assim sem ti para sempre é tão dura de idealizar... Mas mais do que nunca sei que vais estar sempre lá, em todos os meus fracassos, e em todas as minhas vitórias, pois as vitórias só surgem porque os fracassos nos dão ainda mais força. Vais estar lá quando algo correr mal, quando estiver a dar um paço em falso tu vais dar-me um emporrãozinho para que a minha trajetória mude. Quando eu for para a universidade tu vais lá estar. Quando um exame correr mal, tu vais lá estar. Quando eu estiver grávida tu vais lá estar. Quando eu me casar tu vais estar lá. Quando me magoar, tu vais estar lá. Agora que foste embora só penso se estás ao meu lado, como agora que estou a escrever para ti, estás aqui? E sabes o que me faz sentir que sim? É que de todas as minhas lágrimas que caem pela minha cara, quando chegam ao queixo param. E eu sei que és tu que tens a tua mão a segurar a minha cara. E elas param na tua mão, mão de luta, mão que eu toquei antes de te dizer adeus para sempre. Eu sei que estás aqui. E eu amo-te - não só por isso - mas porque sei que em mim, há muito de ti.


Eterna saudade, Nathalie.

3 comentários:

Anónimo disse...

estou sem palavras, sabes que estarei sempre aqui <3

nathalie gomes disse...

quem és???

Patrícia disse...

entendo todas as tuas palavras. força!